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Petição contra a nomeação de Tony Blair como “Presidente da União Europeia“

Nós, cidadãos europeus de todas as origens e inclinações políticas, desejamos expressar a nossa oposiçao total à nomeação de Tony Blair à Presidência do Conselho da União Europeia.

O Tratado de Lisboa prevê a criação do cargo de Presidente do Conselho da União Europeia, a ser eleito  pelo Conselho para um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez. Nos termos do Tratado: “O Presidente assegura a preparação e continuidade dos trabalhos do Conselho Europeu“ e  “O Presidente preside aos trabalhos do Conselho Europeu e dinamiza esses trabalhos“. Além disso, “O Presidente do Conselho Europeu assegura, ao seu nível e nessa qualidade, a representação externa da União nas matérias do âmbito da política externa e de segurança comum“.1

O futuro presidente terá portanto um papel chave na definição das políticas da União Europeia e nas relações desta com o resto do mundo. A primeira presidência possuirá ainda um peso simbólico particular, quer para os cidadãos da União Europeia, quer para a imagem da União no resto do mundo. Nesta perspectiva, parece-nos essencial que o primeiro presidente incarne o espírito e os valores do projecto europeu.

Desde há algum tempo, saem na imprensa artigos, cada vez mais frequentes, tornando evidente o desejo, por parte de alguns quadrantes, em fazer de Tony Blair o primeiro Presidente do Conselho da União Europeia. Esta nomeação, a acontecer, estaria em contradição total com os valores representados pelo projecto europeu.

Em violação do direito internacional, Tony Blair envolveu o seu país numa guerra no Iraque, guerra essa à qual se opôs a maioria dos cidadãos europeus. Uma guerra que fez centenas de milhares de vítimas e provocou milhões de desalojados. Que contribuiu para uma desestabilização profunda do Médio Oriente e erodiu a segurança mundial. De modo a conduzir o seu país à guerra, Blair fez uso sistemático de provas forjadas e de manipulação da informação. O seu papel na guerra do Iraque pesaria fortemente sobre a imagem da União no mundo, caso fosse ele eleito presidente.

As medidas tomadas pelo seu governo, bem como a sua cumplicidade com a administração Bush no programa ilegal de “entregas extraordinárias“ (conhecido como “vôos da CIA“) resultaram num recuo sem precedentes das liberdades civis, em contradição com os termos da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a qual é parte integrante do Tratado.

A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais formaliza os valores fundadores do projecto europeu e constitui um dos pilares do novo tratado. Tony Blair lutou contra a sua integração no Tratado de Lisboa, e assegurou que não fosse aplicada no Reino Unido.

Ao invês de promover a integração europeia, o antigo primeiro-ministro britânico impôs uma série de “linhas vermelhas“ durante a negociação do tratado, com o intuito de bloquear qualquer progresso nas questões sociais e na harmonização fiscal, bem como nas políticas externa e de defensa comuns.2

Além disso, parece-nos impensável que o primeiro presidente da União Europeia seja o antigo chefe de um governo que manteve o seu país afastado de dois elementos chaves da construção da Europa: o espaço Schengen de livre circulação de pessoas e a zona Euro.

No momento em que uma das prioridades das instituições europeias é a reaproximação aos seus cidadãos, cremos ser fundamental que o Presidente do Conselho da União Europeia seja alguêm em quem o comum dos cidadãos possa identificar-se, não alguêm rejeitado pela sua maioria.3

Por tudo isto, declaramos a nossa oposição total a esta nomeação.

  1. Tratado de Lisboa, Artigo 1º, nº 16 - que insere o Artigo 9ºB no Tratado da União Europeia -, parágrafos 5 e 6.
  2. Blair sets out EU treaty demands, BBC, Junho de 2007.
  3.  Sondagem FT/Harris, tabela 6, Junho de 2007.

comments follow...

by findmeaDoorIntoSummer on Mon Feb 4th, 2008 at 10:50:43 AM EST
UNSOLICITED CHANGES

I have made ONE Important change - set the last sentence alone. Should not be difficult for you to undo.
Because the association of the concluding phrase to the last paragraph gaved too much weight to a single  argument (the last one).

There is one minor change, but a good one. For sake of clarity, in annotation (1) I've referenced both the Treaty of Lisboa article and the article the former changes in the Treaty of the European Union.

GENERAL QUESTION
Do you want us to send the text to you in a file, by email? if so, should it be in plain format, html format, or both?

COMMENTS as usual
1 - i don't think we should put the BBC article as a reference.
one should not compare the weight of the approved treaty, or even a major poll, to a newspaper article commenting the intentions of the PM.
After all, what is important is the reason why he did it.by inserting this comment our perspective loses stature.

2 - JakeS is right. Identification is not the right word for old europe. we are too much grown up and cynical for that. Respect, Trust, even Admiration those are proper words.1

So I proposed "At a time when one of the priorities of the European institutions is to reconnect with its citizens, we believe it is essential that the President of the European Council should be a person with whom a majority of citizens MAY RESPECT, rather than one rejected by a majority

(1) Delors would be the man.

PS: only now noticed that used the wrong html formatting. the text does not appear in a box.

by findmeaDoorIntoSummer on Mon Feb 4th, 2008 at 11:35:44 AM EST
[ Parent ]
make that "rejected by a LARGE majority."
by findmeaDoorIntoSummer on Mon Feb 4th, 2008 at 11:37:11 AM EST
[ Parent ]

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